Aspectos do consumo de pescado e da conscientização de consumidores quanto à possível contaminação por micotoxinas no pescado da região de Curitiba-PR, sul do Brasil
DOI:
https://doi.org/10.5327/Z217694781023Palavras-chave:
segurança alimentar; tilápia do nilo; Oreochromis niloticus; piscicultura; toxinas.Resumo
O consumo per capita global de pescado atingiu seu recorde de 20,5 kg em 2018, demonstrando a importância do setor. Um potencial risco a ser considerado no consumo de pescado é a ingestão indireta de micotoxinas pelos humanos por meio do consumo de peixes provenientes de piscicultura intensiva, alimentados com ração potencialmente contaminada por micotoxinas. O objetivo foi avaliar aspectos do consumo do pescado e da conscientização dos consumidores quanto à sua possível contaminação por micotoxinas em Curitiba, Paraná, Brasil. As informações foram obtidas com um questionário aplicado em supermercados de cinco regiões distintas da cidade, obtendo um total de 358 respondentes. Realizou-se análise descritiva dos dados, seguida de análise de correlação de Spearman entre as respostas. Observou-se que dados demográficos influenciaram significativamente a frequência de consumo de pescado (ex. idade, gênero e classe social). Um total de 64,80% dos entrevistados preferiu carne de tilápia em detrimento de outras espécies de peixes, 89,91% das pessoas desconhecem o que são micotoxinas, 93,95% não sabem quais danos as micotoxinas causam à saúde humana e animal e 86,17% não conheciam nenhuma doença relacionada ao consumo de pescado. A escolaridade teve correlação significativa com as questões citadas acima, demonstrando que níveis de escolaridade menores influenciam negativamente a percepção sobre doenças transmitidas por alimentos. O pescado mais consumido é a tilápia de cultivo, indicando a possibilidade de exposição a micotoxinas. Os respondentes desconhecem a possibilidade da presença de micotoxinas em pescado e seus impactos à saúde humana.
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