SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL E INTEGRAÇÃO NA POLÍTICA DE RECURSOS HÍDRICOS NO BRASIL: QUESTÕES INSEPARÁVEIS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5327/Z2176-947820200622

Palavras-chave:

integração de políticas públicas; governança de recursos hídricos; gestão compartilhada de recursos hídricos; Conselho Nacional de Recursos Hídricos; instrumentos de gestão da água.

Resumo

O artigo trata de fatores considerados orientadores da política, da integração e da articulação da gestão de recursos hídricos do Brasil, aspectos que constam da base legal da política nacional (Lei nº 9.433/1997; capítulo III). Ele enfatiza a avaliação da discussão da política de água e sua interface com outras políticas setoriais. Para entender o alcance dos conceitos de integração e articulação, e dialogar com a prática, serão apresentadas as perspectivas da gestão integrada adotada pela Parceria Mundial da Água (Global Water Partnership), intitulada “Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos” (Integrated Water Resources Management), e também aquela fundamentada pela Fundação Nova Cultura da Água, quando trata da perspectiva ecossistêmica. Avalia-se como as questões da integração entre políticas e perspectivas estão ocorrendo no âmbito do Conselho Nacional de Recursos Hídricos brasileiro, fórum central das discussões da política de águas do país. A sistematização dos dados se apoia no levantamento e na análise das atas e pautas tratadas durante os 20 anos  de existência do conselho. As atas foram analisadas com o Programa estatístico R para avaliar a frequência de termos citados durante as reuniões. Os temas das pautas foram organizados em seis grandes tópicos: regras de funcionamento, instrumentos de gestão, gestão integrada da água, articulações setoriais, educação ambiental e apresentações. Tornou-se claro que as o maior número de pautas versam sobre as regras de funcionamento que agregam questões administrativas e normas gerais.




Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

AGUDO, P. A. Punto de partida: el reto de integrar valores y principios ecológicos, sociales y éticos. In: ITUARTE, L. M.; AGUDO, P. A.; GRAO, T. H. El agua: perspectiva ecossistémica y gestión integrada. Zaragoza: Fundación Nueva Cultura del Agua, 2015.

AGUDO, P. A. The New Water Paradigm: premises and promises. In: BUCHANAN, C.; VICENTE, P.; VLACHOS, E. (eds.). Making the passage through the 21st century: water as catalyst for change. Lisbon: Fundação Luso-Americana, 2009.

ALLAN, J. A. Integrated Water Resources Management is more a political than a technical challenge. In: ALSHARHAN, A. S.; WOOD, W. W. (eds.). Water Resources Perspective: Evaluation, Management and Policy. Amsterdam: Elsevier Science, 2003.

ASSEMBLEIA GERAL DA ONU (AG). Conselho de Direitos Humanos. Resolução 16/2. AG Index: A/RES/16/2, 8 de abril de 2011. Available at: <http://www.un.org>.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988.

BRASIL. Decreto nº 5.440 de 4 de maio de 2005. Estabelece definições e procedimentos sobre o controle de qualidade da água de sistemas de abastecimento e institui mecanismos e instrumentos para divulgação de informação ao consumidor sobre a qualidade da água para consumo humano. Brasília, 2005.

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Regional. Decreto nº 9666, de 2 de janeiro de 2019. Available at: <http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2019-2022/2019/Decreto/D9666.htm>

BRASIL. Presidência da República. Decreto federal nº 10.000, de 3 de setembro de 2019. Available at: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Decreto/D10000.htm>

BRASIL. Lei nº 6.938 de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Brasília, 1990.

BRASIL. Lei nº 8.080. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Brasília, 1981.

BRASIL. Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Da política nacional de recursos hídricos. Brasília, 1997.

BRASIL. Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico. Brasília, 2007.

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). Medida provisória nº 870, de 1º de janeiro de 2019. Available at: <http://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/57510830>

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). Contexto institucional da agenda de recursos hídricos e revitalização de bacias hidrográficas. Available at: <http://www.cnrh.gov.br/ultimas-noticias/337-contexto-institucional-da-agenda-da-agua-no-ambito-do-governo-federal>. Accessed on: Feb. 15, 2020.

BRASIL. Portaria do Ministério da Saúde nº 2.914 de 12 de dezembro de 2011. Dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade. Brasília, 2011.

CONSELHO NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS (CNRH). Reuniões plenárias de 1998 a 2019. Available at: <http://www.cnrh.gov.br/reunioes-plenarias>. Accessed on: Oct. 2019.

EMPINOTTI, V. L.; BUDDS, J.; AVERSA, M. Governance and water security: the role of the water institutional framework in the 2013-15 water crisis in São Paulo, Brazil. Geoforum, Nottingham, v. 98, p. 46-54, 2019. https://doi.org/10.1016/j.geoforum.2018.09.022

FUNDACIÓN NUEVA CULTURA DEL AGUA (FNCA). Cultura, educación y comunicación social. Available at: <https://fnca.eu/educacion-y-divulgacion>. Accessed on: Feb 2020.

FUNG, A. Varieties of participation in Complex Governance. Public Administration Review, New Jersey, v. 66, p. 66-75, 2006.

GLOBAL WATER PARTNERSHIP (GWP). Portal. Available at: <https://www.gwp.org>. Accessed on: Oct. 2019.

INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA). Conselhos Nacionais: perfil e atuação dos Conselheiros. Relatório de Pesquisa. Brasília: IPEA, 2013. Available at: <http://www.ipea.gov.br/participacao/images/pdfs/relatoriofinal_perfil_conselhosnacionais.pdf>. Accessed on: May 2017.

ITUARTE, L. M. Integración de políticas sectoriales: agua e territorio. In: PANEL CIENTIFICO-TÉCNICO DE SEGUIMENTO DE LA POLITICA DE ÁGUAS. Sevilha: FNCA, 2003.

JACOBI, P. R. Governança ambiental, participação social e educação para a sustentabilidade. In: PHILIPPI JR., A. Gestão da natureza pública e sustentabilidade. São Paulo: Manole, 2012. p. 343-361.

JACOBI, P. R. Governança da água no Brasil. In: RIBEIRO, W. C. (ed.). Governança da Água no Brasil: uma visão interdisciplinar. São Paulo: Annablume, 2009. p. 35-59.

JACOBI, P. R.; BUJAK, N. L.; SOUZA, A. do N. Pénurie hydrique et crise de gouvernance dans la Région métropolitaine de São Paulo. Bresil(s): Sciences humaines et sociales, n. 13, p. 1-18, 2018. https://doi.org/10.4000/bresils.2506

JACOBI, P. R.; TORRES, P.; GRESSE, E. G. Governing Shallow Waters: SDG 6 and Water Security in São Paulo. In: UNESCO (ed.). Global Water Security Issues Case Studies: Water Security and the Sustainable Development Goals. UNESCO I-WSSM, 2019. p. 102-115.

JEPSON, W.; BUDDS, J.; EICHELBERGER, L.; HARRIS, L.; NORMAN, E.; O’REILLY, K.; PEARSON, A.; SHAH, S.; SHINN, J.; STADDON, C.; STOLER, J.; WUTICH, A.; YOUNG, S. Advancing human capabilities for water security: A relational approach. Water Security, v. 1, p. 46-52, 2017. https://doi.org/10.1016/j.wasec.2017.07.001

LINTON, J.; BUDDS, J. The hydrosocial cycle: defining and mobilizing a relational-dialectical approach to water. Geoforum, Nottingham, v. 57, p. 170-180, 2014. https://doi.org/10.1016/j.geoforum.2013.10.008

MANCINI, R. M. de O. 20 anos de atuação dos conselhos nacionais de água do brasil e Portugal. 148f. Relatório de Qualificação para Doutoramento (Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental) – Instituto de Energia e Ambiente, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2019.

MOLLE, F. Nirvana Concepts, Narratives and Policy Models: Insights from Water Sector. Water Alternatives, Montpellier, v. 1, n. 1, p. 131-156, 2008.

PAHL-WOSTL, C.; LEBEL, L.; KNIEPER, C.; NIKITINA, E. From applying panaceas to mastering complexity: toward adaptive water governance in river basins. Environmental Science & Policy, Amsterdam, v. 23, p. 24-34, 2012. https://doi.org/10.1016/j.envsci.2012.07.014

PATO, J. Políticas públicas da água em Portugal: do paradigma hidráulico à modernidade tardia. Análise Social, Lisboa, n. 206, p. 56-79, 2013.

RODORFF, V.; SIEGMUND-SHULTZE, M.; KÖPPEL, J.; GOMES, E. Governança da bacia hidrográfica do Rio São Francisco: desafios de escala sob olhares inter e transdisciplinares. Revista Brasileira de Ciências Ambientais (Online), n. 36, p. 19-44, 2015. https://doi.org/10.5327/Z2176-947820151003

SANDER, S. D.; MAIORKI, G. J. Ordenamento do território: um tema pouco discutido no Brasil. Desenvolvimento Regional em Debate, Mafra, v. 2, n. 1, p. 232-236, 2012. https://doi.org/10.24302/drd.v2i1.217

SENRA, J. B. Gestão integrada de recursos hídricos: uma análise ao nível dos entes federados e escala local. 520f. Tese (Programa de Pós-Graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos) – Escola de Engenharia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2018.

WALS, A. E. J. (ed.). Social Learning towards a sustainable world: Principals, Perspectives and Praxis. Wageningen: Wageningen Academic Publishers, 2007.

Downloads

Publicado

01-07-2020

Como Citar

Mancini, R. M. O. M., & Jacobi, P. R. (2020). SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL E INTEGRAÇÃO NA POLÍTICA DE RECURSOS HÍDRICOS NO BRASIL: QUESTÕES INSEPARÁVEIS. Revista Brasileira De Ciências Ambientais, 55(3), 298–312. https://doi.org/10.5327/Z2176-947820200622