A dinâmica do uso da terra em um assentamento rural na Amazônia Legal brasileira
DOI:
https://doi.org/10.5327/Z217694781005Palavras-chave:
bioma Amazônico; reforma agrária; desflorestamento; modulo CA-Markov.Resumo
O desmatamento na Amazônia vem alcançando números alarmantes nas últimas décadas, sendo os principais responsáveis por essas ações não apenas os grandes e médios fazendeiros, a grilagem de terra e o garimpo ilegal, como também os assentamentos de reforma agrária podem estar contribuindo com o aumento nas taxas de desmatamento. Diante desse contexto, este trabalho visa avaliar a dinâmica do uso da terra no assentamento rural Santo Antônio do Matupi, localizado no sul do estado do Amazonas. Foi realizado um estudo temporal sobre a mudança no uso e cobertura da terra de 1992 a 2018, com uso de técnica de classificação supervisionada e, a partir desse cenário, foram realizadas simulações na dinâmica do uso da terra para o período de 2028 a 2038 utilizando o método autômatos celulares de Markov (CA-MARKOV). Os resultados mostraram que no período estudado as maiores perdas foram nas florestas primárias, sendo o período mais crítico nas taxas de desmatamento registrado de 2004 a 2018, quando 63,28% da área foi convertida para a implementação de pastagens. Os cenários futuros, com base no período estudado, indicam perda de até 5,26% de áreas ocupadas por florestas até 2028, e mais 5,60% até 2038, superando 80% de área total desmatada no assentamento. O estudo demonstra que o atual modelo de uso e ocupação da terra praticado no assentamento é insustentável, e que os cenários futuros se mostram bastante preocupantes, o que evidencia a necessidade de implementação efetiva de programas voltados ao desenvolvimento rural sustentável no assentamento, além do monitoramento e controle do desmatamento voltado aos atuais gestores e demais setores da sociedade preocupados com a conservação e preservação das florestas.
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